quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Monsenhor Lefebvre: sobre Jesus Cristo e as "outras religiões".

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitência.com

Nota: O texto a seguir é uma sóbria reflexão sobre a verdade de Jesus Cristo e sobre as falsas religiões, extraída do magnífico livro do Arcebispo Lefebvre, The Mystery of Jesus. Em contrapartida, anexamos a declaração do então cardeal Bergoglio contida em seu livro Sobre o Céu e a Terra (escrito em co-autoria com o rabino Abraham Skorka), na qual o Cardeal relata o seu acolhimento entusiástico às falsas religiões, promovendo orações públicas em um “espírito de Assis” pan-religioso durante eventos que ele organizou em sua Catedral.

Monsenhor Lefebvre:

Diante da imagem do Menino Jesus no presépio, alguns podem ser movidos a dizer: “Isso não é possível, Ele não pode ter criado o mundo; Ele acabou de nascer”. Para estes, São Paulo dá a resposta: Ele acabou de nascer, sim, mas a Sua Pessoa é uma Pessoa divina, e essa Pessoa é Deus, o Verbo de Deus. É verdadeiramente o Verbo de Deus que está ali presente na manjedoura, que assume este corpo e alma. É a Palavra de Deus, é esta Pessoa divina a quem nos dirigimos. Quando falamos com alguém, dirigimo-nos a uma pessoa. Essa Pessoa é o Verbo de Deus, por quem tudo foi criado. Como pode alguém então dizer que esta Pessoa, que é o Verbo de Deus feito Homem, não é Salvador, Sacerdote e Rei, os três grandes atributos que esta Pessoa dá a esta criatura de Deus pela graça da união hipostática? [1]

Portanto, algum homem tem o direito de ser indiferente à presença do Verbo de Deus em nosso meio? Isso é inconcebível. Deus quis viver entre nós; quem então tem o direito de dizer: “Apenas deixe-me viver minha vida. Eu não preciso de Jesus Cristo para viver”? Isso é impensável, especialmente porque Ele veio para nos salvar dos nossos pecados. Conseqüentemente, somos todos afetados porque somos todos pecadores. Ele veio para morrer na cruz, para nos redimir da condenação eterna; pode alguém, portanto, ficar desinteressado? E como eles se atrevem a comparar esta Pessoa, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, a Maomé, Buda ou Lutero? Como pode um católico que tem a Fé proferir tais palavras? Como eles podem até mesmo falar “das religiões, todas as religiões, dos cultos” como se fossem iguais?

O Papa Pio VII manifestou sua indignação quando foi apresentado à Constituição da França, na qual se afirmou a liberdade de todas as religiões. Ele reagiu contra as palavras “todas as religiões”. Com estas palavras, eles estavam colocando a santa religião de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo, no mesmo nível das heresias e cismas. Ele ficou indignado, e escreveu ao Arcebispo de Troyes: “Vá ver o rei. Diga-lhe que é inadmissível para um monarca Católico, para um rei que se chama Católico, admitir a liberdade de ‘todas as religiões’, sem distinção”. O Papa ficou indignado. Esta deveria ser a convicção de todos os católicos.

Não é possível ser católico e não sentir indignação quando falam de “todas as religiões”, colocando assim Nosso Senhor em pé de igualdade com Buda e todo o resto. Eles não acreditam que Nosso Senhor é Deus. Eles não acreditam que é a Pessoa de Deus que está diante de nós. É evidente que não acreditam. Existem várias encarnações de Deus? Em Buda? Em Maomé? Em Lutero? Não, existe apenas uma, em Nosso Senhor Jesus Cristo. Este fato tem conseqüências enormes, e devemos sentir isso em proporção à nossa crença na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O que São João diz sobre este ponto é muito importante. As palavras do Apóstolo podem ser resumidas da seguinte forma: Aquele que afirma que Jesus Cristo é Deus é de Deus, e aquele que nega que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus é um anticristo (cf. I Jo. II, 22). Anticristo! e, por conseguinte, um demônio. São João, por exemplo, teve a Fé, e ele soube como tirar as conseqüências.


Poderíamos nos perguntar se ainda restam hoje verdadeiros católicos entre aqueles que se dizem católicos, porque todo mundo acha natural falar de liberdade religiosa e liberdade de culto. Porém isso não pode ser concedido, porque vai de encontro à dignidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eles podem nos acusar de sermos intolerantes. E quantos católicos acham a mesma coisa, inclusive em nossas próprias famílias católicas!?

Se você afirma que há apenas uma religião verdadeira, a religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, e todas as outras provêm do demônio, que elas são do Anticristo porque negam a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, eles vão acusá-lo de ser intolerante. “Assim, você quer voltar para a Idade Média”, zombarão. Não, nós só queremos restaurar o que é: Nosso Senhor é Rei. O dia em que Ele vier subitamente em majestade sobre as nuvens do céu, eles dirão: “Ah, é verdade, Ele é Rei; nós não acreditávamos que isso era possível”.

Sim, Nosso Senhor é Rei, e Ele será o único, não haverá ninguém ao lado d'Ele. As pessoas não são capazes de convencer-se disso. Elas estão infectadas pelo liberalismo, pelo secularismo que afeta muitos. A Nosso Senhor Jesus Cristo já não é atribuído o seu verdadeiro lugar.

Seu reino deve ser estabelecido na terra como no céu.

Foi Ele mesmo quem disse isso na oração que Ele nos ensinou, o Pai Nosso: Venha a nós o Vosso reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu.E este deve ser o objeto de nossas orações, a intenção de nossos sofrimentos e o propósito de nossa vida. Não devemos descansar até que o reino de Nosso Senhor seja estabelecido. Um católico cujo coração não é animado por este profundo desejo não é um católico. Ele não é um dos fiéis de Nosso Senhor Jesus Cristo. [2]

Contraste: o cardeal Bergoglio acolhe “todas as religiões”

No capítulo 28 do seu livro Sobre o Céu e a Terra (escrito em co-autoria com o rabino Skorka) [3], o cardeal Bergoglio afirma com grande satisfação: “Não sei se o senhor se lembra, quando comecei como arcebispo, nos Te Deum eu descia com o núncio para acompanhar o presidente e o levávamos até a porta. Todos os senhores, religiosos dos outros credos, ficavam sozinhos em um canto; eram como bonecos de exposição. Eu mudei essa tradição: agora, o presidente sobe e saúda a todos os representantes de outros credos... Desde o Te Deum de Salta, em 2009, a cerimônia se divide em duas: não só se realiza o canto tradicional, clássico, de ação de graças, junto com a homilia e a oração católica, como também os representantes de cada credo formulam suas orações. A participação agora é maior”.



Notas finais

[1] A união de duas naturezas, divina e humana, de Jesus Cristo em uma única pessoa, a Pessoa do Verbo divino. A partir do fato de que este Homem, Jesus Cristo, é Deus, Ele é necessariamente Salvador, Sacerdote e Rei.
[2] The Mystery of Jesus, The Meditations of Archbishop Marcel Lefebvre [Kansas City: Angelus Press, 2000], pp. 23-25.
[3] Sobre o Céu e a Terra (versão em português), Jorge Mario Bergoglio & Abraham Skorka [São Paulo: Companhia das Letras, 2013]

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